domingo, 27 de dezembro de 2009

CARTA AOS LEITORES

Queridos leitores,
Quando se é tomado pela música, não há caminho de volta. Todos os sentidos parecem compartilhar as mesmas sensações: é possível não só ouvir a música, mas também vê-la, tocá-la, cheirá-la, saboreá-la. É assim que encaramos a música, ou melhor, é assim que a música nos encara.
A cada momento de nossas vidas, ela nos acompanha, fazendo de nós, simples humanos, seres mais iluminados, mais agraciados e melhores. Seja no trabalho, na escola, na rua ou em casa.
Esperamos que vocês também se sintam tocados pela energia essencial da música. Que possam se sentir invadidos sem constrangimento, que cantem e dancem quando tiverem vontade, que passem adiante suas experiências musicais, compartilhando a intimidade de uma boa canção com amigos, parentes ou desconhecidos.
A música nos move!
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2009 vai, sem pressa, chegando ao fim. Outro grande ano, recheado de novidades e coberto de boa música do começo ao fim.
Este ano que vai embora ficará marcado na memória do P.C.P, plageando o poeta, por razões que a própria razão desconhece. O pequeno Raul está a caminho, e com certeza será o lançamento mais importante de 2010, e fará os shows mais barulhentos já vistos (para uma platéia VIP, conhecida como papai e mamãe).
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Que os deuses iluminem cada um de vocês em 2010!

THE BRIAN JONESTOWN MASSACRE - TAKE IT FROM THE MAN! (1996)

Seguindo à risca o lema kill your idols, o Brian Jonestown Massacre vem, a quase 20 anos, sugando parte da essência de seus ídolos e dando-lhe novos invólucros.
As "vítimas" mais notórias são os Rolling Stones (há também o My Bloody Valentine), e em Take it From The Man, lançado em 96 (assim como Their Satanic Majesties' Second Request) pelo selo Bomp, a banda de Jagger e cia. mais uma vez tem suas entranhas musicais reviradas para dar origem ao novo.
Rock and roll puro e psicodélico ganham contornos do indie noventista, e nas 18 faixas do disco nós, os ouvintes, nos sentimos tomados pela música chapada, derretida do Brian Jonestown Massacre.
Muito, muito foda!

sábado, 26 de dezembro de 2009

VÁRIOS ARTISTAS - TROJAN BOX SET: DUB, VOL 2 (2000)

O segundo volume da super-mega-hiper compilação de dub da Trojan Records reúne, assim com o primeiro, as mais lisérgicas faixas do seminal dub setentista.
Baixos pesados, ecos, efeitos, percussões, poucos vocais e muito derretimento dos neurônios, oferecimento de Lee Perry, Prince Jammy, Soul Syndicate, Revolutionares e muitos outros.
E o tchaca-tchaca continua...
Download disco 3

VÁRIOS ARTISTAS - TROJAN BOX SET: DUB (1999)

Parte de uma série de lançamentos do vasto catálogo da essencial Trojan Records, este box com três discos reúne a primeira parte (a segunda vem na sequência) das preciosidades lançadas pela gravadora nos áureos anos do reggae/dub roots.
Aqui você encontra o creme da marijuana sem amônia que abastecia o cérebro dos rastas que perambulavam pelas ruas de kingston e arredores, tocando, gravando e lançando algumas das mais violentas pedradas que já voaram da ilha para o mundo.
King Tubby, Sly Dunbar, The Upsetters, Scientist, Aggrovators e outros nomes de peso do original dub style estão nessa coletânea dividida em três partes, com 50 faixas que farão seus pés levitarem do chão e sua mente flutuar.
Eu garanto!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

RESENHA - THE FLAMING LIPS - THE DARK SIDE OF THE MOON (2009)

Lá vêm os Flaming Lips. De novo!
Não satisfeitos em lançar um dos melhores álbuns de 2009, Embryonic, a banda de oklahoma volta agora com um grande presenta de natal para seus fãs. Para os fãs do Pink Floyd, talvez um presente de grego.
Negócio é o seguinte: os lábios flamejantes de oklahoma, liderados pelo maior maluco de plantão na terra, Wayne Coyne, tiveram a manha de desconstruir e reconstruir um dos maiores clássicos do rock de todos os tempos, The Dark Side of The Moon, oitavo álbum do Floyd lançado no distante 1973. E querem saber? O resultado é melhor que o original.
Assim como o Easy Star All-Stars, só que em outra esfera, os Flaming Lips deixaram as nove faixas do disco original com uma cara diferente, original, viajante e modernizada.
Com as participações do pescoçudo Henry Rollins (Black Flag, Rollins Band, canta em sete das nove faixas), da baixo-nível Peaches e do sobrinho de Coyne, Dennis (com sua banda, o Stardeath and the White Dwarfs), o grupo desestruturou cada segundo do disco original, e apesar das músicas ainda serem reconhecíveis, é inegável que a nova versão tem a cara dos Flaming Lips.
Unindo experimentações eletrônicas a barulhos, vocoder a psicodelias diversas e se valendo de toda a experiência que têm na hora de fazer músicas malucas, os Lips mais uma vez mostram quem é "a" banda doida desse nosso pequeno planeta (ainda) azul.
E para quem estiver em oklahoma na virada do ano, vai a dica: Os Flaming Lips vão tocar este disco na íntegra num show em que haverá, no palco, segundo Wayne Coyne declarou ao Pitchfork, uma bola de espelhos de seis metros de diâmetro, semelhante à dos shows do Pink Floyd em 95, só que maior. Para não perder a piada, ele mandou a seguinte frase: "As bolas do wayne são maiores que as do Pink Floyd".
As bolas eu não sei, mas as doideras...
Um salto pelo hiperespaço em direção ao lado negro da lua!
P.S: Os arquivos estão em formato m4a.

LUSH - CIAO! 1989-1996 (2001)

Ciao! é uma coletânea lançada pela grande 4AD em 2001 que abraça todos os momentos pelos quais passou a banda inglesa Lush.
As primeiras faixas são bem pop água-com-açúcar, daquelas que você pode por pra sua irmãzinha escutar, as demais passeiam pelo indie rock/britpop e chegam quase ao shoegaze, mas ficam no dream pop.
Disco suave, mui suave.

THE WARLOCKS - PHOENIX ALBUM (2002)

Os Warlocks são uma banda vinda da califórnia e desde o final dos 90's, no melhor estilo taking drugs to make music, vêm lançando bons e viajantes discos (o último é deste ano, mas vou ficar devendo a resenha).
Phoenix Album, segundo disco deles lançado em 2002 pela Birdman Records, segue à risca a mesma cartilha que ensinou bandas como Spacemen 3, Spiritualized e cia. do space rock a fazer música lisérgica, carregada no fuzz e nos efeitos dos docinhos psicodélicos (a cartilha dos 60's, claro).
Mó trip, bicho!

THE HORRORS - STRANGE HOUSE (2007)

Banda interessantíssima vinda da inglaterra, os Horrors chamaram minha atenção por conseguirem, em plenos anos 00, com todas as misturas já feitas, refeitas, desfeitas e feitas de novo, tirarem leite de pedra e fazer um som que soasse diferente.
Strange House, début da banda lançado pela Polydor em março de 2007, cozinha num caldeirão fundo uma pá de referências roqueiras que vão das óbvias (garage e punk rock) ao bom e velho rock alternativo e, acreditem ou não, ao gothic rock dos reis do Madame Satã, o Bauhaus (o vocal de Feris Badwan é idêntico ao de Peter Murphy).
Se isso já não bastasse, o visual moderno ao cubo do quinteto ajuda a criar aquela mística necessária a praticamente todas as bandas hoje em dia, já que na era da informação tudo é tão efêmero que de alguma maneira é preciso chamar a atenção.
Muito bom!

FUNKSTÖRUNG - DISCONNECTED (2004)

Vindos da alemanha, o duo Funkstörung faz parte do time de artistas que faz da música eletrônica algo mais que simples bate-estaca (nada contra, tudo depende do momento).
O primeiro álbum deles foi muito celebrado, mas particularmente não faz tanto minha cabeça, e por isso quem pinta hoje aqui no P.C.P é o segundo álbum da dupla, Disconnected, lançado em 2004 pela K7.
Disco de veia tranquila, puxado para o trip-hop/hip hop alternativo. Com vocais esparsos e uma aura dark, o álbum é trilha sonora perfeita para momentos calmos, preguiçosos e viajantes, aqueles em que a lei do mínimo esforço é posta em prática.

RESENHA - THE SUNDAY REEDS - DROWNING IN HISTORY (2009)

Por mais que passe o tempo, e o álbum Psychocandy, do Jesus and Mary Chain, já tenha quase 25 anos de idade, seus ecos, microfonias e distorções continuam a reverberar pelo século XXI.
Inúmeras bandas jovens fazem da barulheira dos irmãos Reid a base para seus sons, e desavergonhadamente prestam tributo (ou pagam pau, se preferirem) aos escoceses preferidos aqui do P.C.P.
Não sei até que ponto isso é bom ou ruim, mas levanto as mãos aos céus quando uma banda deixa transparecer uma ótima influência. E este é o caso do trio australiano The Sunday Reeds.
Vindos da cidade melbourne, a banda é formada pela vocalista/baixista Romana Ashton mais o guitarrista Drew Jones e o batera Andy Dawson.
Drowning in History, seu primeiro álbum, saiu em maio deste ano-quase-passado pelo selo Squirrel. E da capa do disco aos riffs de guitarra contidos nele, é impossível não ver, ouvir e sentir as vibes depressivas e barulhentas de Psychocandy.
A única diferença são os vocais de Romana Ashton, derivados diretamente do "jeito Nico" de cantar, introvertido, baixo, deixando as camadas de barulho da guitarra soarem alto e a bateria primal (no melhor estilo Maureen Tucker/Bobby Gillespie) fazerem seu trabalho sujo.
Drowning in History tem 13 faixas, todas curtas e diretas ao ponto, sem firulas ou enfeites. Rock and roll carregado de boas influências, ruídos e muita honestidade.